A história da Elisa!

A Elisa é uma amiga que conheci lá em minas, em 2005 mais ou menos. Vivemos muitas coisas boas e ruins juntas, e o sonho de casar e sermos mãe sempre foi unanimidade entre nós!

A Elisa tem ovário policístico, o que, de acordo com os médicos, daria a ela uma certa dificuldade para engravidar. Ela se casou em 2010 e em abril de 2013 descobriu que estava grávida e para a surpresa de todos, já estava de 16 semanas!

Assim como a Marcela, a Elisa também teve algumas complicações… Após alguns episódios de sangramentos, sua bolsa veio a romper prematuramente e ela precisou ser transferida para BH e internada para acompanhar sua gestação e o desenvolvimento do seu bebê.

“Queriam tirar meu bebê” foi uma das frases que Elisa me disse enquanto explicava tudo o que estava passando, em meio a muitas mudanças de planos a certeza dela, de seu esposo, de sua família e minha claro, é de que Deus não cumpre em nós aquilo que queremos, mas Ele tem sempre algo novo e desafiador para cada um de nós. Nem tudo serão flores, mas a vitória em Cristo Jesus, é certa.

Tiago passa bem. Hoje está com 27 semanas e vem crescendo e se desenvolvendo muito bem mesmo sem a bolsa de líquido amniótico.

“Eu não sabia que isso era possível!” Foi o que eu disse a ela, quando soube como seu bebê estava sendo gerado, e como tentante que sou, procurei saber mais sobre o assunto…

Vamos lá! Entendendo Melhor a Bolsa de Líquido Amniótico

 
Um Bebê Empelicado: nasceu com a bolsa de líquido amniótico intacta. 
| Fonte: Google Images

Muitas mulheres me perguntam qual é a relação entre o Trabalho de Partoe o estourar da bolsa de líquido amniótico. Hoje vou tentar explicar um pouco melhor a função da bolsa de líquido amniótico, e falarei um pouco dos bebês que nascem sem estourar a bolsa, ou Bebês Empelicados.

Anatomia da bolsa amniótica

Feto na bolsa amniótica intacta

A bolsa de líquido amniótico começa a se formar assim que o embrião se implanta no útero. Ela é composta de uma membrana amniótica transparente, cheia de líquido amniótico (Amnios), e é reforçada externamente por uma membrana mais resistente, que envolve toda a bolsa amniótica, mas também a placenta, e que se chama Córion.

Córion, representado em laranja.

O líquido amniótico é produzido constantemente. Parte da produção se deve à ação da placenta, que é o órgão responsável pelas trocas sanguíneas com a mãe, e que fica “enraizado” na parede uterina. A outra parte do líquido vem do próprio feto, que engole, digere, urina e defeca ali dentro. A placenta efetua a função de filtro eliminador dos dejetos do líquido amniótico. Assim, ao final da gestação, é possível observar (com instrumentos adequados, claro!) a presença de pequenas quantidades de mecônio (cocô do bebê) no líquido, que fica esverdeado por um tempo, e depois vai ficando transparente de novo, sob a ação da placenta.

Ao final da gestação, a bolsa amniótica contém em média de 500 a 1000ml de líquido amniótico. Quando a quantidade de líquido amniótico fica muito baixa, isso pode ser sinal de que a mulher não está ingerindo água o suficiente, e portanto a placenta não tem material para produzir líquido. Pode também ser um sinal de que a placenta está com algum problema ou de que o bebê está produzindo pouca urina, o que pode apontar algum mau funcionamento de seus rins. A oligodramnia (queda do Índice de Líquido Amniótico (ILA) para 8cm ou menos) é um sinal de alerta que requer exames mais aprofundados e uma monitoração mais frequente do bem-estar fetal, mas não é, em si, uma indicação de cesariana, e muitas vezes se resolve com o aumento da ingestão de liquidos pela mãe.

Ao longo da gestação, o líquido amniótico exerce diversas funções (fonte):

  • manter a temperatura do bebê constante;
  • amortecer possíveis golpes e solavancos;
  • oferecer proteção contra infecções (o líquido amniótico é estéril);
  • disponibilizar espaço para o crescimento e a movimentação do feto;
  • assistir no desenvolvimento dos sistemas digestivo e respiratorio (o bebê faz movimentos respiratórios, engole e excreta dentro do útero);
  • assistir no desenvolvimento dos sistemas sensíveis a odores e sabores (o sabor do líquido amniótico se altera em função da alimentação da mãe).

Durante as contrações do trabalho de parto, o liquido amniótico tem um efeito amortecedor, permitindo que o processo de dilatação aconteça sem contato direto entre a cabeça do bebê e o colo do útero, e protegendo assim a ambos de maiores danos. Ele também diminui as chances docordão umbilical ser comprimido pelo corpo do bebê, o que poderia ocasionar um sofrimento fetal.

 
Quando a bolsa se rompe 

Antes das 37 semanas de gestação

Às vezes, a bolsa amniótica se rompe antes da gestação ser considerada a termo. Isso pode ser ocasionado por fatores externos, como ambientes estressantes, atividades físicasexcessivas ou inadequadas, pancadas, golpes ou acidentes, ou por fatores internos, como alguma infecção da mãe (por isso é importante manter-se atenta a qualquer sinal de infecção urinária ou vaginal durante a gestação, e tratar imediatamente).

Quando a bolsa se rompe prematuramente, mas não há outros sinais de trabalho de parto, busca-se prolongar a gestação o máximo de tempo possível. A mulher muitas vezes precisa ficar em repouso total (às vezes hospitalizada), e tomar antibióticos para evitar que bactérias subam pelo colo do útero e colonizem o líquido amniótico.

Após as 37 semanas de gestação

Sempre vemos, nos filmes e seriados americanos, as mulheres fazendo suas coisas normalmente quando, de repente, uma cachoeira de líquido escorre pelas suas pernas e elas, imediatamente, começam a sentir muita dor e correm para o hospital. Isso não acontece com a maioria das mulheres. Pelo contrário: para a maioria das mulheres, o trabalho de parto se inicia com contrações pouco doloridas, e a bolsa só se rompe muitas horas depois.

75% das mulheres cuja bolsa se rompe antes do TP entram em trabalho de parto naturalmente até 72h depois da bolsa estourar. Muitas mulheres relatam que ouvem um “ploc” no momento em que a bolsa estoura. A bolsa pode se romper em qualquer parte, e a rotura pode ser de tamanho variável, o que significa que a quantidade de líquido que vai sair, e a velocidade da saída podem variar muitíssimo de parto para parto. Algumas mulheres efetivamente sentem uma cachoeira de água escorrendo ao longo de suas pernas, enquanto outras apenas “gotejam”.

Quando a bolsa se rompe antes de qualquer outro sinal de trabalho de parto, isso pode ser um sinal de alerta, pelo fato do bebê não ter mais a sua proteção natural contra as bactérias externas. Por isso, a maioria dos obstetras aplicará um antibiótico de maneira profilática a partir de 12h de bolsa rota, para assegurar não ocorra uma infecção, e monitorará de perto a temperatura materna e o bem estar fetal.

Com a rotura da bolsa, e a consequente saída do líquido amniótico, cria-se um movimento de vácuo no útero, que puxa a cabeça do bebê para baixo. A cabeça faz um efeito de “rolha” e impede que o líquido saia por completo. No momento em que a bolsa estoura, se o líquido que estiver saindo for abundante, é recomendável sentar-se um pouco para evitar que o cordão saia junto com o movimento do líquido e seja prensado pela cabeça, comprometendo a circulação e causando um sofrimento fetal. 

Depois do rompimento da bolsa, o líquido continua sendo produzido normalmente pela placenta, até o nascimento do bebê.

Após o início do trabalho de parto

Na grande maioria dos casos, a bolsa amniótica só se rompe depois que a mulher já entrou em trabalho de parto e está sentindo contrações regularmente. A rotura da bolsa pode acontecer a qualquer momento do parto, mas tende a acontecer, naturalmente, quando a mulher já está na fase de transição e começando a sentir os primeiros puxos.

O líquido amniótico não sai completamente quando a bolsa se rompe. Após a saída da cabeça, a saída do corpo do bebê costuma ser acompanhada de uma nova cachoeira de líquido.

Rompimento Artificial da Bolsa

O procedimento de rotura artificial de bolsa é muito utilizado nos hospitais brasileiros. Na maioria dos casos, é explicado para a paciente que o procedimento ajudará o trabalho de parto a progredir mais rápido, além de permitir avaliar a presença de mecônio no líquido amniotico.

O procedimento de rotura de membranas é feito com um instrumento longo de plástico, que parece uma agulha de crochê. O instrumento é inserido até o útero da paciente para efetuar um pequeno furo na membrana amiótica.

É um procedimento utilizado de forma inadequada, na maioria das vezes, e não deveria ser feito de maneira rotineira.

E quando a bolsa não rompe? 

Em alguns raríssimos casos, a bolsa amniótica não se rompe antes do nascimento do bebê. A dilatação se faz normalmente e o bebê nasce envolto na bolsa intacta. Diz-se que esses bebês nasceram Empelicados, e acredita-se que isso é um sinal de sorte para toda a vida.

Veja a seguir algumas fotos de bebês que nasceram Empelicados:

É possível ver o Vérnix (branco) nos cabelos do bebê

A saída da mãozinha é facilitada pela presença da bolsa intacta

Bebê Empelicado

Basta remover a bolsa e nosso bebê Empelicado já pode respirar normalmente. | Fonte: Facebook

Um Parto Natural com a bolsa intacta (fonte: Google Images):

Mais um parto natural, desta vez de joelhos, com a bolsa intacta (fonte):

Bebê nascido Empelicado de Cesariana (fonte: Google Images):

-> Aqui há um lindo vídeo onde se pode ver bem o bebê nascendo Empelicado.

-> Aqui há outro vídeo de um bebê nascendo Empelicado

 

Um pensamento sobre “A história da Elisa!

  1. Pingback: A dor da perda! | Xodó di Mãe

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